quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

As nossas tradições de Carnaval!

Dia de compadres:

O dia de compadres realiza-se na quinta-feira antes do domingo magro, 2 meses antes do Domingo de Páscoa.


É o enterro dos compadres.


Vestíamo-nos todas de preto, com um lenço na cabeça e um chocalho na mão.


Dávamos a volta à vila, íamos chocalhando os rapazes da vila, e fazendo o pranto “Ai o meu compadre, ai que o meu compadre morreu”.


Quando passávamos ao Adro, estavam todos na barbearia do Zé Popino, assim que nos viam, corriam atrás de nós para nos molhar e atirar cinza, ficávamos todas ‘enfarinhadas’!

Fazíamos bandeiras pretas para por na chaminé, onde cosíamos urtigões, ossos, cascas de laranja e ratazanas, para os rapazes verem quando passavam à nossa porta.


Nesse dia também jogávamos o “Fum Fum”, fazíamos uma roda, e atirávamos uma bilha de barro de mão em mão, e gritávamos “Fum Fu Fum”, quando a bilha caia ao chão, a rapariga que a partia tinha que correr a casa buscar outra.


Domingo Magro:


Todos os dias desta semana íamos ao baile à noite.


Neste dia vestíamos uma saia de casturina, lenço na cabeça e um lenço chinês (que vinha de Espanha).



Dia de Comadres:


Vestíamos o nosso fato mais bonito, o típico de Alpalhão.


Nesse dia desfilávamos todas airosas pelas ruas da vila, fazíamos contradanças durante a tarde. No final, juntávamo-nos todas e comíamos arroz doce e boleimas.


Os ensaios eram feitos em casa da “tá Ponteira” e da “Tona Velhinha”.




Domingo Gordo



Vestíamos o fato de Carnaval, durante a tarde fazíamos contradanças, e à noite bailarico.



Segunda-feira de Ciganas



Neste dia vestíamo-nos de ciganas, saia até aos pés, avental ‘bonito’, xaile e trança no cabelo.


Dávamos a volta à vila, nos largos fazíamos rodas e cantávamos, entre outras, “Corre corre ciganito, vai a guarda atrás de ti…”


Arranjávamos um carro com um burro cheio de cuecas, meia e soutiens, e íamos brincando, fazendo a venda pelo caminho.



Terça-feira de Carnaval


Durante a tarde fazíamos contradança pelas ruas com o fato de Alpalhão.


No baile, até à meia noite continuávamos com o traje de Alpalhão; passada a meia-noite, como terminava o carnaval, íamos todas a casa despir o fato e vestíamos um corpete ou um lenço chinês.



Quarta-feira de cinzas



Íamos a pé até a Senhora da Redonda.


Os rapazes faziam lá petisco, comiam borrego.


Outros andavam a passear pelas ruas, de capote, e rasgavam as bandeiras, o resto da tarde ficávamos ali a namorar à porta.


“Oh Entrudo,


Oh Entrudo de uma cana


Tomara cá o Entrudo


Para bailar toda a semana”


Os salões de baile:


Cada um tinha um salão onde íamos bailar,


entre outros tínhamos…


-Salão das senhoras, o clube.


- Baile da tá Gordinha


- Nascisa Nabo


- Carola e Xica Ramiro


- Tá Ana Valente


- Tá Gonçala


- João Franco


- Salão do Pires


No salão do Pires, subia-se num escadote no meio do salão, não queria ninguém no meio, porque o aperto era tanto e no meio, andavam-se a beijar, então metia tudo à volta para os ver todos bem!



Enquanto andávamos na azeitona, à noite, à luz da candeia, com uma tesourinha íamos fazendo bandeiras com vários tipos de papel.


Quando voltávamos para casa, vínhamos em carroças e com as bandeiras no ar dizíamos:



“Já acabámos a azeitona

Já ganhámos o dinheiro

Viva o nosso rancho

E o nosso manajeiro”

Chegando o carnaval, para enfeitar os nossos salões de baile cada uma levava a sua bandeira. Na quarta feira de cinzas, cada uma entregava a sua bandeira ao seu rapaz, eles andavam pelas ruas a passear com as bandeiras e no final rasgavam-na.



Amélia Costuras
Áurea Maria
Mª José Sequeira

Ana Viseu

2 comentários:

jose caldeira disse...

Optimo!Continua a aproveitar esse manancial inesgotavel de que aí dispões!

Arquimino disse...

Ora aqui está mais trabalho e pouca conversa fiada. Registo das tradições para que os novos que têm a vida à frente saibam como era, porque se fazia e porque se foi alterando. É bom saber e aprender com quem sabe, antes que as fontes se acabem. Parabens . É com grande prazer que felicito a equipa. Arquimino Rosa